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Vítima de cancro

Morreu o actor Morais e Castro

O actor Morais e Castro, que entre outros feitos co- protagonizou a série televisiva 'As Lições do Tonecas', morreu este sábado, aos 69 anos, vítima de cancro.


Morais e Castro


Com mais de 50 anos de carreira, Morais e Castro era actor e encenador. Participiou em inúmeras peças de teatro, em longas metragens e em séries televisivas captando a atenção do público na série 'As Lições do Tonecas', transmitida pela RTP e co-protagonizada pelo actor Luís Aleluia.

Morais e Castro licenciou-se em Direito e foi advogado mas a paixão pelas artes falou mais alto. Foi igualmente dirigente do Partido Comunista.

Em 1958, com 19 anos, estreou-se na televisão participando na peça 'O Rei Veado', realizada por Artur Ramos e nesse mesmo ano, integrado no Teatro Gerifalto fez a primeira de muitas digressões pelo País.

O actor completaria 70 anos no dia 30 de Setembro.




Faleceu esta tarde o actor Morais e Castro


Morais e Castro popularizou-se recentemente em Portugal como professor do menino Tonecas RTP

O actor Morais e Castro faleceu esta tarde, no Instituto Português de Oncologia, em Lisboa, onde se encontrava internado. Morais e Castro foi vítima de cancro após 53 anos de uma carreira cheia de sucessos sendo um dos actoras mais acarinhados pelo grande público.

O actor Morais e Castro, que em 2006 comemorou 50 anos de carreira, morreu esta tarde em Lisboa vítima de cancro.

José Armando Tavares de Morais e Castro nasceu em Lisboa a 30 de Setembro de 1939.

Actor e encenador, Morais e Castro era também licenciado em Direito pela Universidade de Direito de Lisboa, tendo igualmente exercido a profissão de advogado, tendo ainda sido dirigente do Partido Comunista Português.

Morais e Castro, que era casado com a actriz Linda Silva, estreou-se no palco com o Grupo Cénico do Centro 25 da Mocidade Portuguesa quando ainda era estudante do liceu.

A sua estreia a nível profissional ocorreu no Teatro do Gerifalto, dirigido por António Manuel Couto Viana, com a peça "A Ilha do Tesouro".

Em 1958 estreou-se na televisão intrepretando "O Rei Veado", de Carlo Gozzi, realizado por Artur Ramos.

No Teatro do Gerifalto integrou várias peças como "O Fidalgo Aprendiz", de Francisco Manuel de Melo, ou "Os Velhos não Devem Namorar", de Afonso Castellau.

Em 1960, interpretou juntamente com Laura Alves a peça "Margarida da Rua" e um ano depois estreou-se na encenação, dirigindo "O Borrão", de Augusto Sobral, no grupo Cénico de Direito, que no mesmo ano foi premiado no Festival de Teatro de Lyon.

Em 1962 integra o elenco do filme "Pássaros de Asas Cortadas", de Artur Ramos, tendo integrado entre 1961 e 1965 o Teatro Moderno de Lisboa.

Nessa companhia integrou o elenco de várias peças entre as quais "O Tinteiro", de Carlos Muiz, e "Humilhados e Ofendidos", de Dostoievski, onde obteve grande sucesso.

Durante a existência do Teatro Moderno de Lisboa, uma companhia fundada sem subsídios e perseguida pela PIDE, contracenou com actores como Carmen Dolores, Armando Cortez, Fernando Gusmão, Armando Caldas, Glicínia Quartin, Paulo Renato, entre outros.

Em 1968, com Irene Cruz, João Lourenço e Rui Mendes, fundou o Grupo 4, no Teatro Aberto, onde representou vários autores como Peter Weiss, Brecht, Peter Handke e Boris Vian.

Com o Grupo 4 encenou no Teatro Aberto "É preciso Continuar", de Luiz Francisco Rebello.

Em 1985 integra o elenco da comédia "Pouco Barulho", com Nicolau Breyner, passando depois pela Companhia Teatral do Chiado. Aí, ao lado de Mário Viegas, integrou o elenco de "f espera de Godot", de Samuel Beckett.

Em 2004, dirigido por Joaquim Benite, interpretou "O Fazedor de Teatro", de Thomas Bernard, com a Companhia de Teatro de Almada, que lhe valeu a Menção Honrosa Crítica nesse ano.

Participou ainda nas décadas de 1980 e 1990 em novelas e séries portuguesas de televisão.

Entre 1996 e 1998 popularizou-se ainda na interpretação do professor em "As Lições do Tonecas".


"Não merecia tanto sofrimento" - Irene Cruz

Lisboa, 22 Ago (Lusa) - A actriz Irene Cruz considerou hoje a morte do actor Morais e Castro uma "grande perda para o teatro", considerando que o actor era "um grande lutador e um grande resistente".

"Morais e Castro era um grande homem" e a sua morte é uma "grande perda para o teatro, uma vez que era um lutador e um resistente", acrescentou.

Morais e Castro, Irene Cruz, João Lourenço e Rui Mendes fundaram em 1974 o Grupo 4, em Lisboa, que esteve na génese do actual Teatro Aberto.



José Morais e Castro

José Armando Tavares de Morais e Castro (Lisboa, 30 de Setembro de 1939 - Lisboa, 22 de Agosto de 2009) foi um actor e encenador português.

Actor experimental do Grupo Cénico do Centro 25 da Mocidade Portuguesa, enquanto estudante liceal. Estreia-se profissionalmente no Teatro do Gerifalto, dirigido por António Manuel Couto Viana na peça A Ilha do Tesouro (1956). Em 1958 estreia-se na televisão em O Rei Veado de Carlo Gozzi, realizado por Artur Ramos. Ainda no Teatro do Gerifalto, integrou o elenco de variadas peças, como O Fidalgo Aprendiz de Francisco Manuel de Melo ou Os Velhos Não Devem Namorar de Afonso Castellau. Em 1960 trabalha junto de Laura Alves. Em 1961 estreia-se na encenação, dirigindo no Cénico de Direito, O Borrão de Augusto Sobral, premiado no Festival de Teatro de Lyon desse ano. Estreia-se no cinema, com Pássaros de Asas Cortadas de Artur Ramos (1962).

Integrou o Teatro Moderno de Lisboa, de 1961 a 1965, participando em O Tinteiro de Carlos Muñiz ou Humilhados e Ofendidos de Dostoievski onde obtém grande sucesso. Neste período contracenou com actores como Armando Cortez, Fernando Gusmão, Carmen Dolores ou Ruy de Carvalho. Em 1968 é co-fundador do Grupo 4 no Teatro Aberto, juntamente com Irene Cruz e João Lourenço e aí representou autores como Peter Weiss, Bertolt Brecht, Max Frisch, Peter Handke ou Boris Vian. Aí encenou também É preciso continuar de Luiz Francisco Rebello. Em 1985 em faz a comédia Pouco Barulho, com Nicolau Breyner, passsando depois pela Companhia Teatral do Chiado, onde ao lado de Mário Viegas participou em À Espera de Godot de Samuel Beckett. Em 2004 a sua interpretação em O Fazedor de Teatro de Thomas Bernard com Joaquim Benite na Companhia de Teatro de Almada valeu-lhe a Menção Honrosa da Crítica. Foi ainda presença regular em novelas e séries, durante a década de 80 e 90. Popularizou-se como professor na série As Lições do Tonecas (1996/1998).

Morais e Castro é licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa (1964), exercendo também a advocacia. É ainda dirigente do Partido Comunista Português.

Faleceu a 22 de Agosto de 2009 vítima de cancro.


Morais e Castro (1939-2009)

 

 


"Perde-se um actor e um cidadão empenhado", Rui Mendes

O actor Rui Mendes considerou hoje que com a morte de Morais e Castro se perde um "actor muito profissional", mas também um "cidadão muito consciente e muito empenhado tanto na vida como nas pessoas".

"Ainda estou muito emocionado com a notícia da morte de Morais e Castro, apesar de ser esperada, porque perco um grande amigo", perde-se um actor "muito profissional" e um cidadão "muito consciente e empenhado tanto na vida como nas pessoas", disse Rui Mendes, em declarações à agência Lusa.

Rui Mendes recordou ainda ter sido com Morais e Castro que se estreou no teatro, na peça "A Ilha do Tesouro", dirigida por António Manuel Couto Viana no então Teatro do Gerifalto

 


Morais e Castro
Actor e Advogado

Tenho sempre defendido

que o teatro é uma arte essencialmente popular, tendencialmente para grandes massas e com um cariz de contra-poder e de crítica de costumes não esquecendo o aprofundamento dos reais problemas filosófico-culturais, políticos, económicos, sociais e éticos dos povos e civilizações.



Uma censura férrea

Durante o fascismo, natural e muitas vezes inconscientemente, a generalidade dos autores, dos actores e dos encenadores era antifascista. E isto, fundamentalmente, por causa da censura aos espectáculos, tão gravosa como a censura à imprensa e a outras formas de informação e arte, mas aqui de um modo mais sofisticado. E, existindo a dita censura, as “gentes” do teatro não podiam deixar de estar contra e, nessa luta, imbuíam-se, muitas vezes sem cons- ciência, de sentimentos antifascistas.


A censura férrea (disfarçada, pois os censores diziam que não tinham ordens, que eram as cartas do povo português indignado com imagens, com ditos, com palavras) é um dos elementos definidores do fascismo, fascismo que uns quantos dizem que não existiu ou andam a tentar branquear.


Esta censura exercia-se de duas formas: exame prévio do texto dramático que a Companhia se propunha representar, o qual podia ser proibido ou aprovado; presença obrigatória dos censores a um ensaio geral, tanto quanto possível na sua versão final (chegavam a recusar-se a considerar o ensaio se faltavam adereços ou cenários). E mesmo nesse momento, prestes a estrear, podiam fazer cortes ou proibir o espectáculo. Na revista, no ensaio para a censura, eram cortados números completos que tinham de ser substituídos à pressa (às vezes em dois dias), chegando mesmo a ser cortados espectáculos inteiros. Foi o que aconteceu no

S. Luís

, à Companhia dirigida pelo dr. Luís Francisco Rebelo, com a Mãe, dum autor polaco, peça que depois foi apresentada por Carlos Avilez, em Cascais, já depois do 25 de Abril.


Os critérios da censura variavam conforme os géneros de teatro, as Companhias e Grupos e a sua localização. O

Teatro Nacional D. Maria II

, empresa Rey Colaço-Robles Monteiro, tinha uma censura interna mas, mesmo assim, viu um seu espectá-culo proibido depois de estreado: “O Motim” do saudoso Miguel Franco. As chamadas Companhias de teatro “sério” (subsidiado ou grupos independentes) que procuravam fazer um repertório de qualidade, que tratavam de problemas, esses sim sérios, tinham uma censura mais apertada que as Companhias que faziam as designadas comédias de “boulevard”, mas mesmo assim menos apertada que a revista que, sendo o espectáculo mais directo e popular, era particularmente vigiado. O teatro universitário e amador era o menos visado pela censura.


Há ainda a salientar que a censura tinha determinados autores no seu índex (

Brecht

,

Sartre

,

Peter Weiss

, entre outros), alguns textos (Júlio César de

Shakspeare

, por exemplo) e cortava também peças e espectáculos avulsos que lhe eram propostos.



Outras razões de um mal-estar

Por outro lado, e dado que só se podia ser actor profissional com o Curso do Conservatório (que era de três anos e ao qual se era admitido apenas com a 4ª classe), ou sendo admitido como estagiário numa Companhia profissional durante dois anos ou três épocas de oito meses, sendo certo que cada Companhia só podia ter um máximo de dois estagiários, as corajosas pessoas que à época deci-diam ser actrizes e actores, para lá de serem classificadas pelo senso comum de prostitutas ou de homossexuais, sentiam uma grande frustração no seu desenvolvimento como profissionais pois, por um lado, não tinham a devida formação escolar e, por outro, viam-se limitados a representar só os textos que a censura permitia.


E é contra tudo isto que, pelo menos desde a minha adolescência, se sente o tal mal-estar das “gentes” do teatro. Daí que a colaboração revolucionária dos actores, no sentido de um 25 de Abril que havia de vir, começasse a despontar.



Todo um panorama de bons profissionais

E é assim que começam as grandes contradições dialecticamente frutíferas.


Do

Teatro do Salitre

, amador, dirigido por Gino Savioti, emigrado para Portugal após a queda do fascismo em Itália e que procurou fazer um reportório actual para a época, saem, contraditoriamente mas todos qualitativamente bons, António Manuel Couto Viana, Artur Ramos, Luís Francisco Rebelo, Ricardo Alberty (excelente autor de teatro infantil), Rogério Paulo, entre outros.


Contraditoriamente também, temos a Companhia Amélia Rey Colaço -Robles Monteiro a dirigir o Teatro Nacional mas a revelar belos textos, alguns revolucionários, a tentar encenações, a ensaiar e ensinar muito bem actores. Neste mesmo sentid temos Mestre Francisco Ribeiro (Ribeirinho) e seu irmão António Lopes Ribeiro, ambos protegidos pelo regime mas que, com os

Comediantes de Lisboa

, tentam novos textos (Bernard Shaw, por exemplo) e tentam juntar um grupo de actores que representem bem e em colectivo. E também os

Companheiros do Pátio das Comédias

, fundado por Costa Ferreira (ilustre homem de teatro, grande autor, encenador e bom actor hoje infelizmente esquecido).


Bem como Ribeirinho com o

Teatro do Povo

e depois o

Teatro Nacional Popular

, levando bons textos, com excelentes encenações, aos locais mais recônditos do País, pondo em cena autores portugueses de esquerda (Costa Ferreira, Luís Francisco Rebelo), autores clássicos e actuais, estreando em 1960 um maravilhoso “À Espera de Godot” e sobretudo formando uma geração de excelentes encenadores: Fernando Gusmão, Paulo Renato, Costa Ferreira, Armando Cortez e ainda Rui de Carvalho e Canto e Castro, entre outros, que transmitem à minha geração toda uma escola de “estar” no teatro e de representar.


No final dos anos 50 aparece em grande o

Teatro Experimental do Porto

dirigido por António Pedro, homem da cultura que já encenara no Pátio das Comédias. Aparece já com um projecto revolucionário, não só na escolha dos textos (aparece em Lisboa, ainda como grupo amador, e pela primeira vez com a “Morte de um Caixeiro Viajante” de Arthur Miller, fazendo um enorme sucesso junto das gentes de esquerda e não só) mas também a nível das encenações.


Na época de 61-62 cria-se o

Teatro Moderno de Lisboa

, uma companhia verdadeiramente revolucionária não só pela forma que reveste (so-ciedade artística onde todos os actores têm uma palavra a dizer em Assembleia Geral e onde os possíveis lucros são divididos por todos em diferentes escalões), mas também pelo local e horário de apresentação (cinema Império, às 18h30 de 2ª, 3ª, 5ª e 6ª feiras e na 2ª época também aos domingos, às 11h00 da manhã) e pelo reportório escolhido: “O Tinteiro” de Carlos Muñiz, peça de estreia com enorme êxito de crítica e de público, esgotado durante meses. Da sua 1ª época fazem parte ainda peças como “Humilhados e Ofendidos”, “Não andes nua pela Casa” de Feydeau. Na 2ª época assiste--se a: “Os 3 Chapéus Altos” de Miguel Mihura, “Os Ratos e Homens” de John Steinbeck e a um espectáculo com 3 peças em um acto, o “Dia Seguinte” de Luís Francisco Rebelo, “O Pária” de Augusto Strindberg e “O Professor ‘Taranné’" de Adamov. E na 3ª época: “Dente por Dente” de Shakespeare, numa excelente e progressista versão de Luís Francisco Rebelo e o “Render dos Heróis” de José Cardoso Pires, que fez um êxito tal que a censura proibiu toda e qualquer menção na imprensa que não fossem os anúncios normais e críticos.


Êxito que se deve também às encenações de Rogério Paulo, Fernando Gusmão, Armando Cortez, Costa Ferreira, Paulo Renato e ao elenco: Carmen Dolores, Fernanda Alves, Maria Cristina, Maria Shultse, Ângela Ribeiro, Clara Joana, Rogério Paulo, Fernando Gusmão, Armando Cortez, Costa Ferreira, Rui de Carvalho, Tomás de Macedo, António Sarmento, Jaime Santos, Nicolau Breyner, Rui Mendes, Armando Caldas, Carlos Cabral e eu próprio.



O Teatro Moderno de Lisboa - uma grande referência

Durante o fascismo, o

Teatro Moderno de Lisboa

foi assim das Companhias mais importantes do teatro português. Companhia que trabalhou as duas primeiras épocas sem qualquer subsídio e com um subsídio da Fundação Calouste Gulbenkian na sua 3ª época. Companhia que, na 1ª época, levou “O Tinteiro” ao Festival do Teatro das Nações, em Paris, com assinalável êxito.


Por estes tempos temos duas Companhias subsidiadas: o

Teatro Estúdio de Lisboa

, dirigido por Luzía Maria Martins e Helena Félix e o

Teatro Experimental de Cascais

, dirigido por Carlos Avilez. O primeiro com posições de esquerda no que respeita sobretudo a textos e o segundo primacialmente a encenações.


Em 1965, quando acaba o

Teatro Moderno de Lisboa

, acaba uma grande referência para a minha geração de actores.


Em 1967 estreia o

Grupo 4

, com Irene Cruz, João Lourenço, Rui Mendes e eu, “todos na casa dos 20 anos mas já com nome firmado no Teatro” e que se propõe fazer “um repertório moderno e com ideias que atinjam o grande público sobretudo jovem” (como dizia a publicidade de então).


De 67 a 74 fizemos cinco espectáculos apenas, mas com grande êxito, enchendo o Tivoli e o Monumental (sobretudo com jovens). O último espectáculo foi antes da construção do

Teatro Aberto

, em que nos empenhámos a partir de 72-73. Abrimos caminho a outros grupos profissionais jovens: os

Bonecreiros

, que depois se cindem em Bonecreiros e

Comuna

, a

Cornucópia

, entre outros.


Deve realçar-se durante o fascismo o importantíssimo trabalho do teatro de revista, sempre pronto a criticar o poder e a enganar a censura, com excelentes autores e sobretudo actores: Laura Alves, Aida Baptista, Ivone Silva, entre outras; Eugénio Salvador, Humberto Madeira, José Viana, Raúl Solnado, entre outros. Para além do mais era o espectáculo que tinha mais corrente de público.


Não pode ser esquecida a luta dos teatros universitários -

T.E.U.C.

,

Grupo Cénico da Faculdade de Direito da Universidade Clássica de Lisboa

,

C.I.T.A.C.

, entre outros, com excelentes encenadores nacionais e estrangeiros, alguns deles perseguidos e expulsos do País. Como não pode ser esquecida a luta dos grupos amadores, de que saliento o da

Guilherme Cossul

(grande centro de formação de actores: Jacinto Ramos, José Viana, Varela Silva, Raúl Solnado, Gilberto Gonçalves, Henrique Viana, Luís Alberto, Celestino Silva e Manuel Cavaco); o

Grupo de Teatro de Campolide

, dirigido por Joaquim Benite, hoje a prestigiosa profissional

Companhia de Teatro de Almada

, o

Grupo da Sociedade Joaquim António de Aguiar, de Évora

, que fazia espectáculos inseridos nos problemas do Alentejo e que ganhava prémios da F.N.A.T., hoje I.N.A.T.E.L., e inúmeros grupos de todo o País, em especial do Norte.


Do ponto de vista político e social é importante um documento que os actores (cerca de 170) subscrevem quando da subida de Marcelo Caetano ao poder, documento redigido por Rogério Paulo (sempre um grande lutador político e teatral), Costa Ferreira, Fernando Gusmão e eu próprio, protestando contra a situação do teatro em Portugal e contra a censura. Já próximo do 25 de Abril intensifica-se também a luta sindical.



Depois do 25 de Abril foi aquilo que se viu. Aparecimento de muitos grupos independentes, de que me permito salientar um, de revista - o

Adoque

.


Descentralização iniciada pelo

Centro Cultural de Évora

, grupos a trabalhar em fábricas, na reforma agrária, nas cooperativas, nas sociedades colectivas, nas autarquias.


E sobretudo o prazer de se poderem fazer textos e autores antes proibidos pela censura, para casas cheias, dado aquilo que chamei a ansiedade cultural das massas. Foi muito bom e há-de voltar a ser.



Separados à nascença

 


António Marinho Pinto, bastonário da Ordem dos Advogados, e...


Morais e Castro, actor que fez o papel de professor do menino Tonecas, na RTP.




Histórias esquecidas 29: As Lições do Tonecas, de José de Oliveira Cosme (arg.) e José Antunes (des.)

 

Durante muitos anos, desde a década de 30 do século passado, que a popularidade de As Lições do Tonecas se manteve ligada a dois meios de comunicação: a rádio e as revistas de quadradinhos. Tendo surgido em 1934 no Rádio Clube Português, com o apoio da revista O Senhor Doutor, deixou de ser transmitido ainda nesse ano, para voltar ao ar em 1945. Muito mais tarde, o programa chegou ao pequeno ecrã, na Rádiotelevisão Portuguesa, com os actores Morais e Castro no papel do professor e Luis Aleluia no de Menino Tonecas. Alguns dos dilálogos radiofónicos podem ser ouvidos aqui e aqui.

Capa de uma das edições populares dos diálogos de As Lições do Tonecas.O seu autor, José de Oliveira Cosme, desde o início esteve ligado aos programas radiofónicos, tendo até desempenhado o papel do professor nesses diálogos humorísticos e que muito divertiam quem os ouvia. Mas o seu surgimento nos quadradinhos só viria a ocorrer na publicação Mundo de Aventuras, com desenhos de José Antunes.

José de Oliveira Cosme esteve ligado à Agência Portuguesa de Revistas durante vários anos, a editora do Mundo de Aventuras. As Lições do Tonecas publicaram-se nos números 386 a 398, 402 a 404 e 408 a 411, normalmente ao ritmo de uma pagina por número, mas não tenho a certeza se foi sempre José Antunes o encarregado de desenhar a série.

Muito embora graficamente não se trate de um trabalho à altura de outros do desenhador, as páginas, com um estilo caricatural, ilustravam bem os diálogos humorísticos, cumprindo bem a sua função.

Publicamos aqui um conjunto de páginas, dos números 386 ao 398, a uma cor, como era hábito em muitas publicações portuguesas, embora a impressão da cor fosse tecnicamente muito deficiente. As imagens podem ser aumentadas se se clicar sobre as mesmas.

Resolução: 300 dpi.



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Ate Sempre Morais E Castro!!!

 

 

 

publicado por Liliana +.+ às 16:51